· A partir do texto de Maria Cândida percebemos que a grande maioria dos problemas contemporâneos da política educacional persiste há várias décadas. Apesar da criação de novos programas e projetos, as velhas questões nunca foram tratadas pois, as soluções pensadas eram fragmentadas e não favoreciam o processo de aprendizagem do aluno.
· Isso, porque a educação ainda tinha como base resquício histórico da ditadura militar que teve um grande peso na educação, da década de 70 até meados de 90, não promovendo nenhuma mudança importante nos processos de ensino-aprendizagem.
· Apesar dos investimentos públicos nos programas e projetos, as taxas de analfabetismo, de evasão, de repetência continuavam sempre altas, apresentando também baixa qualidade do ensino ministrado além de tantas outras mazelas presentes na educação brasileira nos últimos 30 anos.
· Outra questão que perdurava é a falta do desconhecimento do usuário, das necessidades, expectativas, interesses, aspirações e potencialidades, associado à escolha dos recursos tecnológicos e produção de programas de forma dissociada das reais condições de aprendizagem dos alunos.
· Outro fato é que a maioria dos projetos desconsideravam o indivíduo como principal centro de referência de toda ação educacional.
· Pois seus projetos da época estavam amparados no enfoque comportamental e instrucionista.
· Isso porque a política de educação não tinha como objetivo desenvolver as habilidades do aluno e promover o processo de ensino e aprendizagem, mas mantê-los dentro de padrões sociais.
· Mesmo com a introdução da tecnologia no ensino continuava com a mesma metodologia de ensino, pedagogicamente vazia. Com uma visão tradicionalista, apesar das tendências pedagógicas.
· Mesmo sendo bastante interativo as mídias continuavam a tratar o aluno dentro do conceito de Durkheim, como uma tabula rasa que tudo absorve.
· Para promover tal mudança no processo de educação, primeiramente buscou-se novos referenciais teóricos que pudessem explicar o conceito contemporâneo de ciência, tentando fazer uma ponte para fortalecer a proposta de um novo modelo de educação.
· Isso porque é essencial que exista um diálogo entre o modelo da ciência, as teorias de aprendizagem e as atividades pedagógicas desenvolvidas. Pois, ao mesmo tempo em que a educação é influenciada pelo paradigma da ciência, aquela também o determina.
· A partir dessas correntes teóricas temos que compreender a questão do paradigma emergente da educação que nos remete a modelos e padrões compartilhados que nos ajudam a compreender certos aspectos do velho modelo de educação. Segundo Thomas Kuhn (1994),
Em termos de origem, os valores que estão associados ao paradigma tradicional decorrem de uma associação de várias correntes de pensamento da cultura ocidental, dentre elas, da Revolução Científica, do Iluminismo e da Revolução Industrial, que estiveram presentes a partir dos séculos XVII, XVIII e XIX. As idéias iniciais que muito influenciaram a era moderna foram formuladas nos séculos XVI, XVII e XVIII.
· Nesse processo percebemos que apesar do velho paradigma não ser mais hegemônico, mas os seus resquícios ainda estão presentes no processo de ensino e aprendizagem quando a escola em alguns “aspectos” ainda continua limitando as crianças, imobilizando-as em seus movimentos, silenciando-as em suas falas, impedindo-as de pensar e sentir, exigindo memorização, repetição, cópia, dando ênfase ao conteúdo, ao resultado, ao produto, recompensando o seu conformismo, a sua "boa conduta", punindo "erros" e suas tentativas de liberdade e expressão.
· O rompimento com o velho paradigma da educação trás uma transformação na forma de compreender as coisas, com novos debates, novas idéias, articulações, buscas e reconstruções passam a acontecer a partir de novos fundamentos, formados por diversas contribuições teóricas que fundamentam esse processo de ruptura entre o velho e o novo conceito de educação.
· O paradigma educacional emergente da educação preza por um ser humano que tenha uma visão de totalidade, aquele ser que aprende, que atua na sua realidade, que constrói o conhecimento não apenas usando o seu lado racional, mas também utilizando toda a multidimensionalidade humana, todo o seu potencial criativo, o seu talento, a sua intuição, o seus sentimentos, as suas sensações e emoções.
· Algumas implicações educacionais do velho paradigma devem ser substituída com a fragmentação, desarticulação, descontinuada.
· Necessitando do novo paradigma adotar novos estilos de diagnósticos, novos procedimentos metodológicos mais adequados à investigação que se pretende e que permitem apreender o real em suas múltiplas dimensões, em toda a sua complexidade, para que possamos identificar necessidades concretas capazes de subsidiarem a construção de uma política educacional congruente e uma prática pedagógica mais de acordo com a realidade.
Luciola Santos